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IRINEU FRANCO PERPETUO:
FRANCISCO MIGNONE GANHA GRAVAÇÃO EM CD
Violonista Flávio Apro lança "12 Estudos" no Sesc Pompéia; em março, chega disco no qual a Osesp toca obras do compositor
Colaboração Para A Folha De S.Paulo/Ilustrada - 16.1.2005
Um dos mais prolíficos compositores brasileiros de todos os tempos, Francisco Mignone (1897-1986) vai lentamente sendo resgatado do limbo. O violonista Flávio Apro lança, dia 25, no Sesc Pompéia, em São Paulo, a primeira gravação em CD dos "12 Estudos" de Mignone para violão solo.
E mais: em março, deve chegar ao Brasil o disco que o selo sueco BIS lançou no mercado internacional em dezembro último, no qual a Osesp, regida por John Neschling, toca três obras do compositor paulista. Aproveitando o embalo, a orquestra executa, em junho, na Sala São Paulo, o "Concerto para Violão e Orquestra" de Mignone.
Foi também no ano passado que o fagotista americano Frank Morelli lançou, com a Orpheus Chamber Orchestra, o disco "Bassoon Brasileiro" (MSR Classics), com as "16 Valsas" para fagote solo e o "Concertino" para fagote e orquestra de câmera.
Na parte histórica, dois selos dedicados a raridades desencavaram fonogramas de artistas consagradíssimos interpretando Mignone. "Giuseppe di Stefano Unreleased Jewels" traz o tenor, parceiro musical de Maria Callas, cantando a singela "La Serenata Del Buratino". Já "Orfeo ed Eurídice Atto 2" inclui, além do segundo ato da célebre ópera de Gluck, um registro feito ao vivo, em 1943, da "Fantasia Brasileira nº 1", de Mignone, como a NBC Symphony Orchestra, sob a batuta do mítico Arturo Toscanini.
Amplamente influenciado por Mário de Andrade, Mignone foi um dos principais compositores da escola nacionalista. Exímio pianista, deixou nada menos do que 232 obras para seu instrumento solo; contudo, compôs também muita música orquestral, tendo feito ainda incursões na música popular (sob o pseudônimo de Chico Bororó) e na ópera foi o mais bem sucedido compositor brasileiro no gênero depois de Villa-Lobos, em criações como "O Contratador de Diamantes" e "O Sargento de Milícias".
"Conheço os estudos de Mignone e de Villa-Lobos desde criança e sempre tive uma admiração profunda pela densidade emocional do primeiro, em contraste com o fascínio do virtuosismo do segundo", diz Apro. "Esses ciclos eram meio complementares, como os Op.10 e 25 de Chopin."
Com o tema "Os Fundamentos da Interpretação Musical: Aplicabilidade nos 12 Estudos para Violão de Francisco Mignone", o violonista paulista fez do compositor mote de seu mestrado, na Unesp. "A escrita de Mignone exige a adoção de uma postura técnica menos ortodoxa por parte dos violonistas, em vista de que o compositor não era violonista profissional e escrevia a sonoridade violonística que imaginava."
Registrados anteriormente em LP pela Philips por Barbosa Lima, em 1978, os estudos chegam ao CD pela primeira vez. Apro, evidentemente, ouviu o disco dos anos 70 antes de fazer o seu: "Por um lado, essa referência foi importante para oferecer uma nova concepção interpretativa, mas, por outro, dificultou porque absorvi inconscientemente determinados vícios, corrigidos graças ao sistema MIDI de execução ao computador. Assim, pude reavaliar minha interpretação e corrigir diversos detalhes, como andamento, agógica e articulações".
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FÁBIO CARAMURU:
Caro Flávio, já ouvi o CD uma vez. Muito bom, belíssimo trabalho!!!!
Mignone ficaria orgulhoso, certamente!
Abraço
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PROF. DR. ÁLVARO CARLINI
Parabéns, Flávio.
Teu trabalho está de primeira qualidade.
Gravação boa, técnica de execução excelente, interpretação nota 10.
Tudo muito bom mesmo.
Obrigado.
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BENEDITO INÁCIO:
Olá Flávio, acabo de receber as partituras e o CD, o qual diga-se de passagem merece todos os elogios possíveis, desde a interpretação à qualidade da gravação.
Gostaria de te agradecer imensamente pelos "presentes" que me foram mandados. Muito obrigado, e precisando estamos à sua disposição.
Aliás, se vc estiver de passagem aqui por Piracicaba, aproveite para dar uma passadinha em minha loja, a qual fica no mesmo quarteirão da Escola de Música de Piracicaba, local onde vc já tocou.
Um abraço,
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Apro lança mão de boas opções timbrísticas
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE S.PAULO/ILUSTRADA - 16.2.2005
Não é exagero dizer que Flávio Apro ajuda a recolocar em evidência um dos principais ciclos para violão solo do repertório. É muito difícil, tanto no aspecto físico quanto no técnico quanto no mental, tocar ao vivo a integral dos estudos; mas já está mais do que na hora de os violonistas começarem a incluir os itens avulsos no repertório.
Quando se fala em estudos, quer para piano, quer para violão, quer para outro instrumento, normalmente se pensa em ciclos nos quais um "problema" técnico (arpejos, glissandos etc.) é "estudado" em cada peça. Na integral de Mignone, porém, esses recursos são imbricados, unindo dificuldade técnica e uma atmosfera não distante da música popular.
Por isso é bom ouvi-los nas mãos de um violonista como Apro, que usa os harmônicos com bom gosto e parte para opções timbrísticas interessantes, como a imitação do toque da viola caipira.
Flávio Apro Interpreta Francisco Mignone Gravadora: Independente Onde encontrar: Livraria da Vila (0/xx/11/ 3814-5811) Quanto: R$ 20, em média
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DAVID HIRSCHY:
Flavio
We listened to the CD today. Your playing is wonderful. The music is fabulous and previously unknown to us. In recent years, we listen less to classical guitar than other genres.
The nuances of tone which you elicit from the instrument make listening a pleasure. The playing is assured and consistent. A hard task on a recording with little studio time.
This makes me even more excited to hear your first recordings on the new instrument.
All the Best
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JOÃO CAVALLI:
Caro Flavio,
Parabens pelo exCelente trabalho dos estudos de Mignone. Realmente o CD está estupendo. Sua interpretação não é fria nem rebuscada o q nem sempre é facil de se conseguir como vc mesmo comenta no encarte. É muito facil cair no pieguismo das melodias seresteiras.
Realmente a captação do CD está ótima, oRicardo Marui está de parabens, pois perdeu o medo de usar o reverber em música erudita o q deixa a coisa muito mais viva como realmente se ouve ao vivo numa boa sala.
Muitos CDs de violão erudito, por purismo deixam de usar esse recurso o q deixa as gravações chapadas, sem sal, (...) O proprio Ricardo reconhece q os populares estão anos luz na frente em matéria de captação do vioão acustico (Vide Marco Pereira.Bellinati e cia)
Finalmente gostaria de comentar sobre o instrumento usado ou seja, um C7 correto...Vc fez suspense e pelo jeito é um super instrumento, apesar de não ser considerado pela "inteligentia" como de 1º linha.(...).
Um abraço,
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FÁBIO JOSÉ:
Flavio,
1. Os Cds chegaram, em perfeito estado
2. A principio não sabia bem o que esperar dos estudos , pois não tenho contato com a Obra do Mignone
Fiquei realmente muito surpreso. Obras belas, densas.
Percebe em sua interpretação uma profunda interação com as obras. Uma interpretação que realmente gostei muito.
Ao escutar seu CD, lembrei quando escutei os estudos do Villa com o Pedrassoli. Uma sessção de < é isso mesmo que o autor quis dizer > .
Alem disso, escutando-se os 2 cd ( Mignone e Prealudium ) percebece claramente sua evolução como violonista e musico.
Parabens, que voce colha os frutos merecidos deste trabalho.
Grato
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LAURO MACHADO COELHO:
Fico satisfeito de saber que a menção que fiz a seu disco, na Rádio, deu resultado. Gostei do disco, desde que você me mandou aquele demo, antes mesmo de a prensagem definitiva estar pronta, e espero que tenha boa saída. Soube que você foi ao Rio buscar o seu novo violão. Boa sorte.
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TIAGO DE LIMA CASTRO:
Olá a todos,
Recomendo este CD a todos, uma interpretação equilibrada e bem cuidadosa, gostei das peças e da interpretação do Flávio.
(...)
Queria aproveitar e perguntar as mignonianos do fórum, sobre como era o contato do compositor e o violão, dá para sentir a presença do Chico Bororó nas peças, mas ele utilizava o instrumento para checar a tocabilidade da peça?
Me lembro que a algum tempo, o Fábio Zanon comentou que um dos estudos necessitou da remoção de uma das vozes para ser possível tocá-lo, opção feita pelo Carlos Barbosa-Lima, poderiam me dizer qual era este estudo?
Parabéns Flávio,
Tudo de bom a todos.
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MARIA JOSEPHINA MIGNONE:
Flávio Apro, violonista brasileiro possuidor de musicalidade e competência, além de ser intérprete inteligente e grande pesquisador dos "Doze Estudos para Violão" de Francisco Mignone.
Certamente, sua gravação será da maior relevância para os estudos do compositor brasileiro.
Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2004
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MAURO DIAS:
O ESTADO DE S.PAULO / CADERNO 2 – 16/05/1997.
Praeludium (Independente) – Disco de estréia do jovem violonista Flávio Apro, trabalho ambicioso em que já assina transcrições para o seu instrumento de obras de Bach, Grieg, Leo Brouwer, Willy Corrêa de Oliveira – este último, seu professor de composição. Sua priemira professora foi aluna de Segovia. O toque de Apro é segoviano, como fica claro na interpretação das três peças curtas de Polak (Prealudium, Kurant, Galliarda ) na abertura do disco. São peças de pronúncia rápida e seca. Apro é corretíssimo nelas. Sente-se certa falta de intensidade quando o interpretado é Holborne ou nas Sonatas de Scarlatti (nelas, menos). Em todo caso, há uma questão estilística a considerar e o músico parece identificar-se mais com Bach – é muito boa sua leitura da Ciaccona , da Partita nº2 . melhor ainda está nas Três Peças Líricas , de Grieg, de interpretação vigorosa. Supera-se no difícil trabalho de Corrêa de Oliveira e ao ler o cubano Leo Brouwer. (...)
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